—Espere, deixe-me ligar-lhe a cabeça, propôz.
—Não senhora; não tenho que me envergonhar das minhas feridas.
Pélagué pensou-o summariamente.
Aquelle sangue fresco e vermelho apiedou-a immenso; ao sentir-lhe com os dedos a quente humidade, toda a percorreu um estremecimento de terror. Em seguida, conduziu o ferido pelo braço, pelo campo fóra, sem proferir uma palavra. Elle libertou os lábios da ligadura para dizer alegremente:
—Para que vae a puxar por mim, camarada? Eu posso bem caminhar sósinho!
Mas Pélagué sentia-o cambaliar, o andar vacillava-lhe. A voz ia-lhe enfraquecendo emquanto falava, interrogando-a sem esperar as respostas.
—Chamo-me Ivan, sou funileiro... e a senhora quem é? Eramos trez no club do Iégor... trez funileiros; ao todo, eramos onze! Gostavamos muito d’elle.
Na rua mais proxima, Pélagué tomou um trem e para elle fez subir Ivan, segredando-lhe:
—Agora, cale-se.
E para mais segurança, puxou-lhe outra vez a ligadura para a bocca. Elle levou logo a mão á cara, mas não conseguiu libertar os lábios; o braço recaíu inerte sobre os joelhos. Ainda assim, continuava a murmurar atravez do lenço: