—O papá diz que tudo isto vem da falta de generos, tudo! Ha já dois annos que a terra não produz nada... e toda a gente anda sem saber o que ha de fazer. É por isso que apparecem agora homens como aquelle. É uma desgraça! Vão para as reuniões gritar e bater uns nos outros!... Ainda no outro dia, quando venderam as terras do Vassioukof, porque não pagava o fôro, deu uma bofetada no staroste.[3] «Ahi teem o fôro!» disse-lhe o Vassioukof.
Resoaram pesados passos para além da porta.
Pélagué ergueu-se com as mãos apoiadas na mesa. O camponez dos olhos azues entrou e sem tirar o bonné:
—Onde tem a sua bagagem?
Ergueu a mala sem esforço algum. E observou:
—Está vazia!... Maria, acompanha esta viajante a minha casa.
E saíu sem olhar para ninguem.
—Vae passar a noite á villa? inquiriu a pequena.
—Vou, sim! Eu negoceio em rendas e quero ir fazer as minhas compras.
—Não ha de encontral-as por cá. Em Tinekof e em Darino, ahi é que as fazem, mas cá na terra, não! explicou Maria.