Deteve-se novamente, agarrou a cabeça entre as mãos.

—É para bestialisar, mesmo sem se querer, essa vida feroz! concluiu em voz baixa.

Depois, dominou-se. Brilhava-lhe agora no olhar uma expressão decidida. E foi quasi com tranquillidade que fitou a velha, cujo rosto as lagrimas inundavam.

—Não temos tempo a perder, Pélagué. Onde está a sua mala?

—Na cosinha.

—Está a casa cercada de espiões, não é possivel passar para fóra tal quantidade de impressos, sob pena de sermos vistos... Não sei onde os hei de occultar... Parece-me que a policia ha de voltar esta noite... Não quero que seja presa. Ainda que muito nos custe, vamos queimar tudo isso.

—O quê? perguntou ella.

—O que está dentro da mala.

Foi então que ella compreendeu e, por grande que fôsse a sua tristeza, a ufania do bom exito da sua viagem fez-lhe aflorar ao rosto um sorriso.

—Mas a mala não tem nada! Nem uma folha de papel! declarou, animando-se gradualmente.