—Olhe, sabe? Vou dizer-lhe a verdade, ainda que lhe custe: conheço bem o Pavel e estou certo de que vae recusar-se a fugir. O que elle pretende é ser julgado, quer exibir-se em todo o seu prestigio... e não renuncia a isso. É trabalho escusado!... Depois, fugirá da Sibéria...
A mãe de Pavel murmurou:
—Que se ha de fazer?... Elle sabe melhor do que eu o que deve decidir.
Nicolao ergueu-se de chofre, novamente tomado de contentamento. Inclinou-se para ella e disse:
—Graças a si, passei hoje instantes melhores... os melhores da minha vida, talvez!... Obrigado! Dê-me um abraço!
E apertaram-se, silenciosos.
—Como isto é bom! exclamou elle baixo.
Pélagué deixára caír os braços e sorria em estos de felicidade.
—Hum! murmurou Nicolao, fitando-a muito por detraz dos seus oculos. Ainda se esse tal camponez não tardasse em vir!... Porque é absolutamente preciso escrever um artigosinho ácerca do Rybine e distribuil-o pelas aldeias, o que não pode prejudicar o Rybine, visto que elle trabalha abertamente, por si mesmo, e que a causa do povo tem tudo a ganhar. Vou escrevel-o agora mesmo. A Lioudmila imprime-o ámanhã... Sim, mas como se hão de expedir os fasciculos?
—Irei eu leva-los.