Ignaty olhava para um e outro, vermiculando devagar com os dedos emporcalhados do pé descalço. Pélagué, procurando occultar o rosto inundado de lagrimas, foi para elle com uma celha com agua. Sentou-se no chão e estendeu a mão para tomar a perna do homem.
—Que quer fazer?... Não é preciso...
—Deixa ver o pé, depressa.
—Eu vou buscar o alcool, disse Nicolao.
O rapaz mettia sempre mais a perna debaixo do banco, murmurando:
—Não quero!... Então isso é coisa que se faça?
Sem lhe responder, ella tratou de lhe desembaraçar das ligaduras o outro pé. O rosto redondo de Ignaty distendeu-se de espanto. Pélagué entrou a lavar o rapaz.
—Sabes? disse ella com voz chorosa. O Rybine foi espancado!...
—Palavra? exclamou Ignaty assustado.
—É verdade. Quando chegou a Nikolsky, já elle vinha moído de pancada, e ainda alli, o sargento e o commissario lhe deram murros, pontapés... Estava todo coberto de sangue!