—Ah, lá quanto a isso, é o officio d’elles, e conhecem-no a valer! exclamou o operario, sentindo um calafrio percorrer-lhe as espáduas. Tenho medo d’elles como do diabo! E os camponezes não lhe bateram?
—Um só, á ordem do commissario. Os outros fizeram o seu dever; até não consentiram que continuassem a maltratal-o.
—Sim... O campónio começa a compreender...
—Tambem lá os ha muito intelligentes, n’essa villa...
—E onde é que os não ha? Ha-os por toda a parte! Sim, sempre é forçoso que os haja; o difficil é descobril-os. Mettem-se ahi pelos cantos e ficam a remoer aquillo lá por dentro, cada um para seu lado. Não teem a coragem de se reunir!
Nicolao trouxe uma garrafa d’alcool, deitou uns pedaços de carvão no samovar e saíu sem dizer palavra. Ignaty, que o seguira com a vista, curioso, perguntou em voz baixa:
—É nosso mestre?
—Na causa do povo não ha mestres, só ha camaradas!
—É caso para pasmar! disse o operario, sorrindo entre perplexo e incredulo.
—O quê?