—Cá estou lembrado! respondia Vessoftchikof.

Mas Ignaty não se dava por crente, repetia-lhe outra vez todos os signaes combinados e todas as palavras de passe. Por fim, estendeu-lhe a mão.

—Agora não falta mais nada! Adeus, camarada! Dê-lhes recommendações minhas! Olhe, diga-lhes assim: «O Ignaty está vivo e passa bem.» É boa gente, verá!...

Mirou-se satisfeito, passou a mão pelo casacão e perguntou a Pélagué:

—Posso ir-me embora?

—E has de atinar com o caminho?

—Está claro que sim!... Até mais vêr, camaradas!

E lá se foi, aprumado, arqueando o peito, de chapeu novo á banda e as mãos enterradas nos bolsos. Na testa e nas fontes, os anneis dos cabellos, loiros e infantis, dansavam-lhe jovialmente.

—Ora até que emfim já tenho tambem trabalho! exclamou Vessoftchikof, approximando-se da velha. Andava aborrecido; perguntava a mim mesmo para que tinha saído da cadeia. Não faço senão andar escondido!... Ao menos, na cadeia, sempre aprendia! O Pavel recheava-nos a cabeça que era um gosto! E o André tambem nos limpava as idéas, sim senhora!... E então, sempre se decidiu a fuga? Arranja-se isso?

—Hei de sabel-o depois d’ámanhã! respondeu. E repetiu, suspirando, mau grado seu.