Reteve ainda a mão do filho, á espera.
—Não te inquietes... Não te zangues... supplicou elle.
Estas palavras e o vinco de obstinação d’aquella fronte deram á mãe a resposta esperada.
—Porque dizes isso? murmurou, baixando a cabeça. Que ha n’essas tuas palavras?
E saíu rapida, sem o fitar para não traír com as lagrimas o seu estado de espirito. Pelo caminho, chegava-lhe a parecer que lhe doía a mão em que trazia o bilhete de seu filho; sentia o braço pesado como se lhe tivessem dado uma pancada no hombro. E, ao entrar em casa, entregou a Nicolao a bolinha de papel. Emquanto esperava que elle desdobrasse o papel, fortemente comprimido, ainda teve um novo vislumbre de esperança. Mas Nicolao disse-lhe:
—Já o sabia! Aqui tem o que escreve: «Companheiros: não fugiremos; não devemos fazel-o; nenhum de nós se presta a isso. Perderiamos assim o respeito por nós mesmos. Tratem antes do camponez ultimamente preso. Merece a vossa sollicitude. É digno das vossas deligencias. Está soffrendo horrores, aqui. Todos os dias tem desaguisados com as autoridades. Já passou vinte e quatro horas no segredo. É torturado sem descanso. Todos nós intercederemos por elle. Consolem minha mãe; tratem d’ella com carinho. Contem-lhe tudo isto; ella ha de compreender. Pavel.»
Pélagué ergueu a cabeça e com voz firme:
—Contar-me, o quê? Já compreendi tudo!
Nicolao virou de súbito as costas, puxou pelo lenço e assoou-se com ruido. Murmurou:
—Sempre apanhei um defluxo!...