—Ha de vir comnosco por força! limitou-se a dizer a rapariga para Nicolao.

—Isso é com vocês as duas! respondeu elle, baixando a cabeça.

—Mas olhe que não podemos ficar juntas. Vocemecê tem de andar pelos campos, pelos jardins. Vêem-se de lá os muros da cadeia, muito bem... D’outra fórma, arrisca-se a que lhe perguntem o que anda ali a fazer.

Com serenidade, Pélagué exclamou:

—Sempre hei de achar uma resposta!

—Não se esqueça de que os vigias da cadeia conhecem-na! lembrou Sachenka. Se a vêem por ali...

—Não hão de vêr-me! respondeu ella.

E logo a seguir, a esperança que ella sempre acalentára sem mesmo, dar por tal, incendiou-se em viva chamma que toda a animou:

—Quem sabe?... Talvez que elle tambem... pensava, emquanto se vestia apressadamente.

Uma hora depois, encontrava-se ella em meio d’uns campos, perto da prisão. Soprava vento agreste, que lhe enfunava as saias, enrijecia o solo gelado, fazia oscillar o tapume velho d’um jardim, fustigava com violencia o muro da cadeia e penetrava no pateo interior, d’onde a vozearia subia, arrastada para o firmamento no seu irresistivel sopro. Corriam velozes as nuvens, deixando por vezes entrever a immensa profundidade do azul.