—Depressa!... Mais depressa! murmurou ella.

No pateo da cadeia, houve qualquer coisa que se quebrou com ruido secco, ouviu-se um tenido agudo de vidros partidos. Firmando os pés no chão com toda a sua força, um dos soldados puxava pelo cavallo; o outro, de mão ao lado da bocca, gritava o que quer que fôsse na direcção do presidio, depois apurava o ouvido com a cabeça inclinada n’esse sentido.

Em crispações de incerteza, a mãe de Pavel olhava para tudo aquillo; os seus olhos, que tudo haviam visto, em nada queriam crêr. A evasão, que ella imaginára coisa terrivel e complicada, effectuara-se tão rapida e simplesmente, que d’ella mal lhe restava consciencia. Em baixo, na rua, já não se divisava Rybine. Os unicos traseuntes eram agora um homem de elevada estatura, vestido de comprido sobretudo, e uma rapariguinha. Appareceram trez vigias á esquina.

Corriam, apertando-se uns contra os outros, com o braço direito estendido para a frente. Um dos soldados precipitou-se ao encontro d’elles, o outro mal podia acompanhar o cavallo, que, caprichoso e rebelde, tentava recomeçar o brinquedo, esquivando-se e pulando. Pélagué julgava vêr tudo em volta d’ella oscillar. Os apitos rasgavam a atmosfera em trillos incessantes e desesperados. Compreendeu então o perigo que corria. Toda trémula, foi andando ao longo do tapume do cemiterio, sem perder de vista os guardas. Estes deitaram a correr para a outra esquina da cadeia e desappareceram, assim como os soldados.

Logo depois viu o sub-director da prisão, que ella conhecia bem, tomar a mesma direcção. Trazia a farda desabotoada. Accudiam policias; formava-se um ajuntamento...

O vento soprava, deslocando-se em redemoinhos, como se quizesse mostrar-se satisfeito; com elle chegavam aos ouvidos de Pélagué fragmentos d’exclamações confusas:

—Ella ainda lá está!

—A escada?

—Vá para o diabo! Porque espera!...

De novo retiniram apitos estridentes. Todo este tumulto era do agrado de Pélagué. Apressou o passo, ao mesmo tempo que ia pensando: