—Chegou sã e salva? Então como se passou isso?

—Parece que conseguiram o que queriam.

E diligenciando rememorar os mais insignificantes pormenores, contou o que tinha visto, como se estivesse a repetir inverosimil historia.

—Ora veja que temos sorte! disse Nicolao, esfregando as mãos. Mas que susto em que estive por sua causa! Nem póde imaginar! Nada receei com respeito ao julgamento. Quanto mais cedo fôr, tanto mais breve chegará o dia da libertação do seu Pavel, creia! Talvez até possa evadir-se quando fôr, a caminho da Sibéria... Quanto ao julgamento, aqui tem pouco mais ou menos o que é.

Entrou a descrever-lhe o tribunal. A mãe de Pavel escutava-o, mas presentia que elle receava alguma coisa e diligenciava tranquillisal-a.

—Está imaginando talvez que eu quero dirigir-me aos juizes, entregar-lhes algum memorial! disse ella.

Nicolao levantou-se bruscamente, agitou a mão e exclamou em tom de melindre:

—Que está dizendo? Nunca pensei n’isso!

—Tenho medo, isso é certo! Tenho medo e não sei de quê!

Calou-se. O olhar vagueava-lhe pelo aposento, ao accaso.