—Percebeste o que elle disse? Diz que são uns doidos, uns garotos de genio brigão. É do Fédia que elle quer falar!
Acabrunhada pela sua cruel decepção, Pélagué não respondeu.
Sentia-se mais e mais humilhada, e esta humilhação opprimia-lhe a alma. Compreendia agora porque esperava em vão a justiça, porque se enganara pensando assistir a uma discussão leal e séria entre a verdade que seu filho proclamava e a dos juizes.
Imaginára que os juizes iam interrogar Pavel, demoradamente e com attenção, sobre a sua vida; que examinariam com olhos perspicazes todas as idéas, todos os actos de seu filho, e o emprego de todos os seus dias, e que, reconhecendo a sua hombridade, haviam de declarar convictamente: «Este homem tem razão.»
Mas nada d’isso succedia. Era para crêr que os accusados e os juizes estivessem a cem leguas uns dos outros e ignorassem mutuamente as suas existencias. Fatigada pela tensão da espectativa, Pélagué deixára de acompanhar o debate. Pensava de si para comsigo, melindrada:
—É então assim que se julga? O julgamento...
E pareceu-lhe vazia e sem sentido esta palavra; soava como um vaso de barro, quebrado.
—É bem feito! murmurou Sizof, approvando com a cabeça.
—Parece que estão mortos, aquelles juizes! disse ella.
—Elles já voltam a si!