—O tribunal não precisa da sua opinião!

—Como? Não precisa d’um elogio d’estes!... Hum!... Todavia, eu continúo. Os senhores são homens que não estabelecem differença alguma entre amigos e inimigos, os senhores são inteiramente livres no seu juizo. Assim, teem agora na sua frente dois partidos: um queixa-se de que o roubam e o maltratam; o outro responde que tem o direito de roubar e de maltratar porque traz na mão uma espingarda.

—Tem alguma coisa a dizer concernente ao processo? perguntou o velhinho, alteando a voz e com as mãos a tremer.

Esta irritação satisfazia immenso Pélagué. Mas a fórma de proceder de André não lhe agradava; achava a discordante do discurso de Pavel. Preferia ouvir travar-se uma discussão séria e ponderada.

O russo-menor fitou o velho, sem responder; em seguida, disse com gravidade:

—O processo?... Para que lhe havia eu de falar do processo? O meu companheiro disse-lhes o que os senhores deviam saber já! O resto, outros lho dirão quando chegar o momento opportuno...

O velhinho sobreergueu-se da poltrona e declarou:

—Retiro-lhe a palavra!... Gregorio Samoílof!

O russo-menor apertou com força os dentes e deixou-se caír pesadamente no banco. Ao lado d’elle, Samoílof pôz-se de pé, saccudindo os anneis do cabello.

—O procurador disse que nós eramos uns selvagens, inimigos do progresso...