Fédia curvou-se para elle e segredou-lhe o que quer que fôsse ao ouvido, com um riso de esperteza. O soldado que lhes estava próximo sorriu tambem, mas logo retomou os seus ares de gravidade e resmungou.
Pélagué limitava-se, como os outros, a conversar ácerca de arranjos de roupas e cuidados de saúde, mas no coração reprimia mil interrogações relativas a Pavel, a Sachenka e a si própria. E sob as suas palavras banaes, lentamente se desenvolvia o sentimento de immenso amor que dedicava ao filho, o ardente desejo de o captivar, de viver no seu coração. A espectativa do acontecimento terrivel desapparecera, deixando unicamente, apóz si, um arrepio desagradavel, quando se lembrava dos juizes, agora ausentes.
Sentia nascer em si uma intensa alegria luminosa, mas não a compreendia e isto trazia-a perturbada.
Viu que o russo-menor falava muito com todos os que o rodeavam, e entendendo que elle, mais do que Pavel, precisava de confôrto, disse-lhe:
—Não me agradou a audiencia!
—Porquê, mãesinha?! exclamou André. É um moinho velho, mas vae sempre moendo!
—É uma coisa, afinal, que não mette medo algum, e é incompreensivel! Nem ao menos se procura averiguar a verdade! disse ella hesitante.
—Oh! Era isso o que queria? exclamou André. Mas então imagina que alguem se importa aqui com a verdade?
Pélagué suspirou.
—Eu imaginava que isto fôsse coisa muito séria... mais séria ainda do que na igreja!... Que se celebrava o culto da verdade!...