—Querida mãe: onde a verdade é respeitada sabemol-o nós! disse Pavel em voz baixa e no tom de quem perguntasse sem affirmar.
—E a mãesinha tambem o sabe! acrescentou o russo-menor.
—O tribunal!
Correram todos para os seus logares.
Com uma das mãos apoiada na mesa, o presidente occultou a cara por detraz d’um papel e pôz-se a ler com uma voz debil qual zumbido:
«O Tribunal... depois de ter deliberado...»
—É a condemnação! disse Sizof, apurando o ouvido.
Fez-se silencio. Todos se haviam posto de pé, com os olhos fitos no velhinho. Sêcco e hirto, assemelhava-se este a um cacete sobre o qual mão invisivel se apoiasse. Os juizes estavam tambem de pé; o syndico do bailiado, com a cabeça pendente no hombro, dirigia o olhar para o tecto; o administrador da communa cruzava os braços no peito; o marechal da nobreza afagava a barba. O juiz com cara de doente, o seu collega barrigudo e o procurador, olhavam todos na direcção dos accusados. E por detraz dos juizes, por cima das suas cabeças, apparecia o czar, de uniforme encarnado.
Um insecto ia-lhe marinhando pela cara, pálida e indifferente; uma teia d’aranha balouçava ao vento.
«são condemnados a deportação para a Sibéria»...