—O degredo! disse Sizof com um suspiro de alivio. Finalmente, já passou, Deus louvado! Muita gente esperava os trabalhos forçados. Isto assim, já não é tão mau, tiasinha; não vale mesmo nada!

—Eu já o adivinhava, disse Pélagué baixinho.

—Assim como assim, agora é certo!... Mas vá lá a gente saber, com uns juizes d’estes!

Voltou-se para os condemnados, a quem faziam já abandonar o pretorio, e disse alto:

—Até á vista, Fédia!... Até á vista, vocês todos! Que Deus os proteja!

Pélagué fez um signal de cabeça a Pavel e aos seus companheiros. A sua vontade era chorar, mas conteve-a uma espécie de vergonha.

XXVII

Ao sair do tribunal, ficou Pélagué admiradissima com vêr que já a noite caíra sobre a cidade, os candieiros das ruas accesos; as estrellas scintillando no céu. Nas circumvisinhanças do palácio da justiça, formavam-se pequenos agrupamentos; na gélida atmosfera, ouvia-se o ruído da neve rangendo sob o andar; vozes de gente nova interpellavam-se mutuamente. Approximou-se de Sizof um homem coberto com um capuz cinzento e perguntou em voz rápida:

—Qual foi a sentença?

—O degredo.