—O seu filho será para nós todos um nobre exemplo!
—Viva o operariado russo! gritou uma voz vibrante.
—Viva a revolução!
—Morra a autocracia!
Multiplicavam-se os brados, cada vez mais violentos; rebentavam pelo ar, cruzando-se; accudia gente de todos os lados e apinhava-se em torno de Sizof e Pélagué. Os apitos dos policias rasgavam o ar, mas sem conseguirem dominar o borborinho. O velho ria. Quanto a Pélagué, parecia-lhe tudo aquillo um bello sonho. Sorria, apertava centenas de mãos, cumprimentava. Comprimiam-lhe a garganta lagrimas de felicidade; vergavam-lhe as pernas de cansadas, mas o seu coração, transbordando de triumfante alegria, reflectia as suas impressões como o claro espelho da água d’um lago.
Perto d’ella, uma voz clara exclamou em tom enervado:
—Companheiros! amigos! O monstro que devora o povo russo, satisfez hoje mais uma vez os seus appetites!...
—Vamo-nos embora! disse Sizof.
N’esse mesmo instante, appareceu Sachenka. Agarrou Pélagué por um braço e puxou-a para o passeio opposto, aconselhando:
—Venha... A policia póde atirar-se para cima de nós e bater-nos... Ou vão prender-nos... E então? Foi o degredo, não foi? Para a Sibéria?