—Sim, é verdade!...

—E elle que fez? Falou? Eu já sei tudo, afinal... É elle o mais valoroso tambem, é certo! É sensivel e terno, mas sempre se acanha quando tem de manifestar os seus sentimentos. É firme e resoluto como a própria verdade!... É um grande homem, e tudo reside n’elle... tudo! Mas a maior parte das vezes, elle próprio se constrange... com o receio de não se entregar todo elle, d’alma e coração, á causa do povo... Eu sei-o bem!

Estas palavras d’amor, segredadas em um desabafo de paixão, acalmaram Pélagué, reanimando-lhe as desfallecidas forças.

—Quando vae encontrar-se com elle? perguntou á rapariga, em voz baixa e affectuosa, puxando-a muito para si.

Sachenka respondeu, com o olhar fito na sua frente, e com tranquilla decisão:

—Tão depressa encontre quem se encarregue do meu trabalho! Porque em breve me tocará a vez de responder em juizo... Hão de mandar-me tambem para a Sibéria. Direi então que desejo ser deportada para o sitio em que elle estiver...

Por detraz das duas mulheres ouviu-se então a voz de Sizof:

—Faça-lhe os meus cumprimentos!... Chamo-me Sizof. Elle conhece-me: sou tio do Fédia Mazine.

Sachenka parou para se voltar e estender-lhe a mão:

—Eu conheço o Fédia. O meu nome é Sachenka.