—Dizia, sim, senhora! respondeu o velho, depois de hesitar um momento.

—Por consequencia, a verdade merecer-lhe-ia mais apreço do que o seu filho. Pois a mim merece-me mais apreço do que o meu pae...

O outro abanou a cabeça, e em seguida, suspirando:

—Ah! é astucioso, sim, senhora! Se tem assim resposta para tudo, os velhos não pódem resistir-lhe! Sabe atacar pela certa! Até mais vêr! Desejo-lhe todas as felicidades possiveis... Mas seja mais condescendente com as pessôas sim? Que Deus vá comsigo! Adeus, Pélagué! Se falares com o Pavel, diz-lhe que ouvi o seu discurso... Não percebi tudo... Até me metteu medo em certas occasiões, mas o que elle disse é a verdade!

Ergueu o bonné e desappareceu, sem se apressar, na volta da esquina.

—Deve ser um bom homem! observou Sachenka, seguindo-o com olhar risonho.

Parecia a Pélagué vêr no rosto da sua companheira expressão mais meiga e melhor do que de costume...

Chegadas a casa, sentaram-se no canapé, muito uma á outra. Pélagué referiu-se de novo aos planos de Sachenka. Com as espessas sobrancelhas muito erguidas, pensativa, a outra olhava para distante com os seus grandes olhos de sonho. Lia-se-lhe no pálido rosto uma pacífica concentração d’espírito.

—Mais tarde, quando tiverem filhos, tambem eu para lá irei, para tratar d’elles. E não havemos de viver peor lá do que vivemos aqui... O Pavel ha de encontrar trabalho; é muito habilidoso.

Sachenka olhava agora para ella, perscrutando-lhe os pensamentos. Interrogou: