—Bem! Então, até á vista!... d’aqui a trez, quatro ou seis mezes. É muito tempo!... Que de coisas se podem fazer em seis mezes! Poupe-se, sim? Peço-lh’o. Vá lá! Venha um abraço!
Passou os robustos braços em torno do pescoço de Pélagué e fitando-lhe muito os olhos, disse com um riso muito franco:
—Parece-me que estou apaixonado por si... Não faço senão abraçal-a!
Sem lhe responder, ella beijou-o na testa e nas faces. As mãos tremiam-lhe: deixou-as pender para que elle não o notasse.
—Então, vae partir?... Ás mil maravilhas!... Mas tome cautella, seja prudente! Olhe: mande um rapazito aqui ámanhã pela manhã; a Lioudmila tem um lá em casa. Por elle ficará sabendo o que se tiver passado. Bem, até mais vêr, camaradas! Tudo vae bem!... Que tudo continue bem, é o que se quer!
Pela rua, commentava Sachenka em voz baixa:
—Com aquella mesma simplicidade é capaz de ir para a morte, se fôr preciso... Só com um pouco de pressa, como ainda agora. Quando lhe chegasse a sua hora final, ajustava os óculos, dizia assim: «Ás mil maravilhas!» e morria!
—Amo-o devéras! segredou Pélagué.
—Pois a mim, causa-me espanto! Quanto a amal-o, não! Estimo-o, simplesmente. Acho-o muito sêco, ainda que lhe encontre certa bondade e ás vezes até alguma ternura. Mas não possue em si bastante humanidade... Parece-me que vamos sendo seguidas. Separemo-nos. Não vá a casa da Lioudmila, se desconfiar que a vigiam...
—Bem sei! respondeu ella.