O guarda parou junto d’ella e, apóz silencio, perguntou com severidade:

—Que estás tu a olhar?

—Nada...

—Está bem... Ladra! Então és velha e andas n’essa vida?!

Com estas palavras julgou Pélagué que recebia uma bofetada. Irritadas e roucas, faziam doer, como se lhe rasgassem as faces e arrancassem os olhos.

—Ladra, eu?! Mentes! gritou com toda a fôrça dos pulmões.

Tudo o que a rodeava lhe parecia mover-se descompassadamente entre o redemoinho da sua indignação; sentia o coração atordoado pela amargura da injuria. Agarrou na mala, que logo se abriu por si.

—Olha! Olhem todos! exclamou, pondo-se em pé e agitando acima da cabeça um maço de proclamações. Atravez dos zumbidos de que tinha cheios os ouvidos, ouvia as exclamações das pessoas que accudiam de todos os lados.

—Que se passa?

—É um agente da polícia secreta...