—Camaradas!

—Que vem a ser isso?

—Ah, patife!

—Dá-lhe!

—...Não é com sangue que se ha de suffocar a razão!

Empurravam-na pelas costas, pelo pescoço, batiam-lhe na cabeça e no peito; tudo oscillava e se sumia no sombrio turbilhão dos gritos, dos lamentos e dos silvos dos apitos. Alguma coisa espessa e que a ensurdecia lhe penetrava nos ouvidos e lhe enchia a garganta até á suffocação. O solo fugia-lhe debaixo das pernas, que vergavam, o corpo tiritava-lhe sob o aguilhão dos ferimentos; tropega e exausta, Pélagué cambaleava. Mas continuava a distinguir em volta de si numerosos olhares onde brilhava o entusiasmo decidido que ella conhecia bem e que tão querido era ao seu coração. Levaram-na aos encontrões para uma das portas.

Ella poude desembaraçar uma das mãos e agarrou-se ao batente.

—...Nem mesmo sob um mar de sangue a verdade desapparecerá...

Descarregaram-lhe logo uma pancada na mão.

—Só conseguis congregar os ódios, insensatos que sois! E este ódio, este rancor, ha de subverter-vos!...