—Já é tempo de a cantarmos pelas ruas! dizia o sombrio Vessoftchikof, em principios da primavera.

Quando o pae mais uma vez foi prezo, declarou tranquillamente:

—Agora poderiamos reunirmo-nos em minha casa...

Quasi todas as tardes, depois do trabalho, um ou outro dos companheiros ia a casa de Pavel; liam juntos, copiavam trechos das brochuras. Andavam preoccupados e nem já tinham tempo de se lavarem. Ceavam juntos e tomavam o seu chá sem pôrem de lado os livros; e as suas conversas cada vez se tornavam mais incompreensiveis para Pélagué.

—Precisamos de um jornal! repetia Pavel, a miude.

A vida tornava-se febril e agitada; dirigiam-se uns aos outros com mais celeridade, era com mais rapidez que passavam d’um livro a outro, como abelhas voando de flôr para flôr.

—Começa-se a falar de nós! disse uma noite Vessoftchikof. Provavelmente, acabamos por ser presos, dentro em pouco.

—Quem não quer ser lobo não lhe veste a pelle! observou o russo-menor.

Cada vez agradava mais a Pélagué. Quando elle lhe chamava mãesinha, parecia-lhe que uma suave mão de creança lhe afagava o rosto. Ao domingo, se Pavel tinha que fazer, era elle quem rachava a lenha; um dia appareceu carregado com uma grande taboa, pegou na ferramenta e substituiu com habilidade um degrau pôdre da porta d’entrada; doutra vez, recompoz a varanda que ameaçava ruina. Emquanto trabalhava, assobiava musicas melancólicas.

Pélagué disse um dia ao filho: