E tirou o boné com um gesto pretencioso, agitou-o no ar, e foi-se, deixando Pélagué immersa na perplexidade.

D’outra vez, Maria Korsounova, visinha dos Vlassof, viuva d’um ferreiro, e que vendia comestiveis na fabrica, disse a Pélagué ao encontral-a no mercado:

—Não percas de vista o teu filho, Pélagué!

—Porquê?

—Correm uns boatos a seu respeito... segredou com ares misteriosos. Coisas feias! Diz-se que está organisando uma especie de corporação, no genero dos flagelantes. Chama-se a isto uma seita. Fustigar-se-ão uns aos outros como os flagelantes.

—Não digas mais tolices, Maria!

—Vae ralhar com elle que é quem as faz, e não comigo, que te dou parte do caso! replicou a vendedeira.

Pélagué contou a conversa ao filho, que encolheu os hombros sem responder. Quanto ao russo-menor, desatou a rir, com as suas gargalhadas benevolas.

—As raparigas tambem estão zangadas! Sois todos aptos para vos tornardes bons maridos, trabalhaes bem, não bebeis... e nem olhaes para ellas! Diz-se que da cidade vem visitar-vos pessoas de má reputação...

—Já cá faltava! exclamou Pavel, fazendo uma cara de nojo.