Lá fóra o vento soprava em torno da casa.
—Não tem nenhuma graça isto!... disse André lentamente.
Pélagué metteu a cabeça debaixo da roupa para poder chorar.
Na manhã seguinte, André pareceu-lhe como fisicamente amesquinhado, e sentiu-o mais proximo do seu coração. Como sempre, o filho tinha o porte secco, silencioso, rigido. Até então ella tratava o russo-menor por André Onissimovitch; d’aquelle dia em diante, sem querer, sem dar por tal, disse-lhe:
—Deve concertar as suas botas, meu André, senão tem frio nos pés.
—Hei de comprar outras, quando receber a féria.
Depois desatou a rir e perguntou-lhe de chofre, pondo-lhe no hombro a sua pesada mão:
—Talvez a senhora seja a minha verdadeira mãe, mas que não queira confessal-o, porque me ache muito feio! Será assim?
Sem falar, ella deu-lhe uma pancadinha na mão. Desejaria dizer-lhe palavras carinhosas, mas o coração confrangia-se apiedado, e a sua lingua recusava-se a obedecer-lhe...