—Que historia esta!... E eu com um abcesso n’este dedo! resmungou.

—Que devemos fazer? perguntou Pélagué alimpando tremulamente o suor do rosto.

—Espere... não tenha medo! respondeu passando pelos cabellos encaracolados a mão válida.

—Mas se o senhor é o primeiro a ter medo!...

—Eu?

Córou de repente, e disse a sorrir, com embaraço:

—Sim, é verdade, c’os demonios! Precisamos de prevenir o Pavel. Vou mandar-lhe alguem... Volte para casa... Isto não ha de ser nada. Então! ninguem ha de bater-nos!

Apenas chegou a casa, Pélagué reuniu em monte os livros, metteu-os debaixo do braço e pôz-se á busca de um canto onde occultal-os. Olhou para o fogão, para o forno, para o canudo do samovar e até para o barril cheio d’agua. Dizia comsigo que Pavel largaria d’ali a pouco o trabalho e voltaria para casa; elle porem demorava-se. Por fim, vencida de cansaço, sentou-se n’um banco da cosinha, escondeu os livros debaixo da saia e ficou immovel até que apparecessem o filho e André.

—Já sabem?! disse sem se levantar, apenas os viu.

—Já sabemos! respondeu Pavel com sorriso calmo. Tens medo?