Começou a lavar-se. Depois accrescentou, limpando cuidadosamente as mãos:

—Se lhes mostrar que tem medo, mamã, dirão que alguma coisa ha para despertar desconfiança. E nós nada fizemos ainda... nada! Bem o sabe, nada queremos que seja mao; a verdade e a justiça estão do nosso lado, trabalharemos por ellas toda a vida: eis o nosso crime! Porque havemos de tremer?

—Terei coragem, Pavel! prometteu.

Mas logo disse, angustiada:

—Se ao menos «elles» viessem depressa!

«Elles» porem não vieram n’aquella noite.

No dia seguinte, prevendo que Pavel e André iriam chasquear dos seus terrores, foi a primeira a rir-se de si mesma.

X

«Elles» chegaram quando menos os esperavam, quasi um mez depois. Vessoftchikof, André e Pavel estavam reunidos e falavam do seu jornal. Era tarde, perto da meia noite. Pélagué já estava deitada, ia adormecendo e ouvia-lhes vagamente as vozes receosas e em tom baixo. André levantou-se de chofre, atravessou a cosinha nos bicos dos pés e fechou de mansinho a porta apoz elle. No corredor ouviu-se o ruido d’uma celha que tombára. André disse em voz alta:

—Oiçam: é o ruido de esporas, na rua!