O rosto de Pélagué tornou-se pálido até na cicatriz, emquanto o sobrolho direito lhe era repuxado para cima. A barba negra de Rybine entrou de tremer de uma maneira estupenda; baixou a cabeça e passou a mão vagarosamente pelo bigode.
—Ponham fóra d’aqui essa besta! ordenou o official.
Dois guardas agarraram o rapaz por debaixo dos braços e arrastaram-no para a cosinha. Quando lá chegou, conseguiu parar, e apegando-se ao chão com toda a força de que os seus pés eram susceptiveis, gritou:
—Esperem! Quero pôr a minha capa!
O commissario de policia, que estivera a rebuscar no pateo, appareceu dizendo:
—Nada encontrámos. Vimos todos os cantos.
—Está claro! exclamou o official ironicamente. Já o esperava! Estamos a contas com homens já muito experientes.
Pélagué ouviu aquella voz fraca, tremula e imperiosa; e ao observar aquelle rosto amarellento sentia estar ali um inimigo, um inimigo implacavel, com o coração cheio de desprezo pelo povo. D’antes poucas pessoas assim ella tinha visto, e nos ultimos annos chegára a esquecer-se de que ellas existiam.
—É a estes que nós causamos inquietações!... pensava.
—Senhor André Onissimof Nakhodha, filho de pae incognito, está preso!