—Bôa noite! disse, sorrindo. Sou eu outra vez. Hontem á noite, obrigaram-me a cá vir; hoje venho por minha conta.
Apertou com vigor a mão de Pavel, e pondo a mão no hombro de Pélagué:
—Dás-me chá?
Pavel observou em silencio o amplo rosto atrigueirado do seu visitante, a sua espessa barba negra e os seus olhos intelligentes. Havia um tanto de gravidade no seu olhar tranquillo; todo o aspecto do recemchegado, de athletica corpolencia, inspirava simpathia pela sua decidida firmeza.
A mãe foi á cosinha preparar o samovar.
Rybine sentou-se, afagou o bigode, e, encostando-se á meza, envolveu Pavel n’um olhar.
—Com que então... Assim começou, como se reatasse o fio de uma conversa. Devo falar-te abertamente. Observei-te por muito tempo antes de vir á tua casa. Somos quasi visinhos, via que recebias muita gente e que ninguem se embriagava nem fazia escandalos. Isto dava nas vistas. Quando alguem se porta bem, é logo notado, vê-se logo quem é. Eu proprio chamo as attenções para a minha pessoa porque vivo á parte, sem praticar porcarias.
Falava vagarosamente, com ripanso; tinha inflexões que inspiravam confiança.
—Com que então, toda a gente fala de ti. O meu senhorio chama-te «herético» porque não vaes á egreja. Eu tambem lá não vou. Depois appareceram essas fôlhas, esses papeis... A idéa foi tua?
—Foi! respondeu Pavel sem desviar o olhar da fisionomia de Rybine, que tambem o fitava.