mistura com nuvens de mosquitos que se espalhavam no bairro produzindo febres. O pantano pertencia á fabrica; o novo director, querendo tirar partido d’elle, concebeu o projecto de esgotal-o, extraíndo-lhe ao mesmo tempo o nateiro. Esta operação, disse aos operarios, tornaria salobras as circumvisinhanças e melhoraria as condições de vida a todos; portanto ordenou que fosse descontado um kopeck por cada rublo, nas ferias, quantia que seria destinada ao saneamento do pantano.

Nos operarios houve uma agitação; irritava-os principalmente o facto de não reverter para os empregados o imposto.

No sabbado em que foi publicada a decisão do director, Pavel estava doente e não fôra trabalhar; nada sabia. Na manhã seguinte, depois da missa, o fundidor Sizof, um bom velho, o serralheiro Makhotine, homem alto, muito irrascivel, foram a casa d’elle para lhe dizer o que se passava.

—Os mais velhos d’entre nós reuniram-se, disse rudemente Sizof; discutimos; os nossos companheiros mandaram-nos cá para te perguntarmos—visto seres um homem de espirito lucido—se ha alguma lei que permitta ao director extinguir os mosquitos á nossa custa.

—Nota, accrescentou Makhotine, revolvendo os olhos, que ha quatro annos aquelles ladrões nos apanharam dinheiro para construirem um estabelecimento de banhos... Que é d’elle?

Pavel explicou que o imposto era injusto, que a fabrica tiraria uma grande vantagem do projecto. Assim, os dois operarios retiraram-se com ares de poucos amigos. Depois de os haver acompanhado até á porta, Pélagué disse sorrindo:

—Vem então os velhos a tua casa aprender comtigo, Pavel!...

Sem responder, o rapaz sentou-se e começou de escrever, preoccupado. Decorridos instantes:

—Peço-te que vás immediatamente á cidade e entregues este bilhete...

—É coisa arriscada?