—Ó velha, deixa-te estar!
Empurraram-na. Mas não desanimou, com os hombros e os cotovellos afastava toda a gente e approximava-se do filho, pouco a pouco, impellida pelo desejo de ir ficar a seu lado.
Pavel, depois de haver soltado frases a que costumava dar um sentido profundo, sentiu as guellas apertadas pelo espasmo resultante da grande alegria de combater. Invadiu-o o desejo de entregar-se á força da sua crença, de arrojar áquella gente o seu coração consumido pelo ardente sonho da justiça.
—Companheiros! repetiu, dando a esta palavra todo o enthusiasmo e vigor. Somos nós que construimos as egrejas e as fabricas, que fundimos o dinheiro, que forjamos os grilhões... Somos nós a força viva que nutre e diverte o mundo inteiro, desde que nascemos até á morte...
—Isso! isso! exclamou Rybine.
—Sempre e em toda a parte, somos os primeiros no trabalho, emquanto nos atiram para os ultimos logares na vida. Quem se preoccupa de nós? quem nos quer bem? quem nos considera como homens? Ninguem!
—Ninguem! repetiu uma voz como se fosse um écco.
Senhor de si, Pavel passou a falar com mais simplicidade e mais calmo. A multidão avançava lentamente para elle, como um corpo sombrio de mil cabeças. Olhava para o rapaz com centenas de olhos attentos, respirava as suas palavras. O ruido decrescia.
—Não teremos melhor quinhão emquanto não nos sentirmos solidarios, emquanto não formarmos uma unica familia de amigos, estreitamente ligados pelo mesmo desejo—o de luctarmos pelos nossos direitos.
—Entra no assumpto! disse uma voz perto de Pélagué.