—Não é pelo kopeck que se deve mostrar resistencia, mas sim pelo principio da justiça. Não é o kopeck o que nos custa, não é mais redondo do que os outros, mas é para nós mais pesado: ha n’elle mais sangue humano do que só em um rublo do director!

Estas palavras caíam sobre a multidão com energia e provocavam ardentes exclamações.

—É verdade! Bravo, Rybine!

—Silencio, seus diabos!

—Tens razão, fogueiro!

—Olhem o Vlassof!

As vozes confundiram-se n’um turbilhão tumultuoso, abafando o ruido surdo das maquinas e os suspiros do vapor. De toda a parte corria gente que começava a discutir, agitando os braços, excitando-se mutuamente com palavras febris e causticas. A irritação que dormia nos peitos fatigados, despertava; escapava dos labios e tomava o vôo, triunfante. Ao de cima da multidão pairava uma nuvem de poeira e ferrugem; os rostos cobertos de suor estavam em fogo, a pelle das faces vertia lagrimas negras. No fundo sombrio das fisionomias, brilhavam os olhos e os dentes.

Afinal, Pavel appareceu ao lado de Sizof e de Makhotine; ouviram-no gritar:

—Companheiros!

Pélagué viu que o filho estava palido e que os seus labios tremiam; involuntariamente, quiz avançar, abrindo caminho, á força; mas disseram-lhe com mao modo: