—O Rybine, que tem uns dentes terriveis!
Afinal, escolheram Pavel, Sizof e Rybine para parlamentarios, e iam mandar chamar o director, quando de chofre se ouviram algumas hesitantes exclamações:
—Vem ahi, sem ser chamado...
—O director...
—Ah!... Ah!...
A multidão abriu caminho a um figurão alto, sêcco, de rosto comprido, e barba em bico.
—Com licença! dizia, afastando o povo com um movimento ligeiro, mas sem lhe tocar. Tinha os olhos semi-cerrados, e, como experiente em lidar com os homens, ia observando as fisionomias dos operarios.
Estes inclinavam-se, tiravam o boné, cumprimentando-o. Elle não respondia a estas demonstrações de respeito, semeava o silencio e o constrangimento por onde ia passando; sentia-se já, sob os sorrisos contrafeitos e o tom abafado das palavras, o como arrependimento da creança, conscia de ter feito uma tolice.
O director passou em frente de Pélagué, lançou-lhe um olhar severo e parou junto do montão de ferragem. De cima, alguem estendeu-lhe a mão: não a acceitou. Com um movimento vigoroso e agil, subiu, ficou á frente e perguntou em tom frio e auctoritario:
—Que significa esta reunião? Porque abandonaram o trabalho?