Lamentemos estas infelizes victimas do ministro e do rei:—um malandro porquissimo e um gordurento repugnante.

Um escriptor francez, Victor Joly chega a dizer que «o duque d'Aveiro tinha a queixar-se d'um duplo ultrage: a mulher e a filha tinham sido seduzidas pelo rei e entregues a todos os caprichos de um escandaloso deboche».

Cito este escriptor porque não será facil que algum historiador o desminta.{13}

Os Tavoras tinham recebido desconsiderações do rei; mas o mais offendido era o segundo marquez de Tavora cuja mulher era a marafona de D. José I. Não havia porém uma prova cabal contra elles.

Isto não impediu que o tribunal os condemnasse.

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Nunca em Portugal se viu uma tão intensa crueldade na morte dos infelizes, considerados reus. Havia um proposito firme de os fazer soffrer na alma e no corpo, prolongando-lhes o martyrio, infamando-os, torturando-os, insistindo d'uma maneira infame sobre o destino dos seus restos mortaes.

Aos apologistas do marquez de Pombal offerecemos a narração que passamos a fazer e que tiramos do manuscripto da bibliotheca publica de Lisboa, escripto por testemunha ocular, observando-lhes que todas estas minuciosidades bestiaes foram o additamento que o marquez fez á sentença condemnatoria.{14}

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A 12 de janeiro de 1759 foi proferida a sentença, e, n'essa noite sinistra, á luz dos archotes, os operarios martellavam o cadafalso. As pancadas dos martellos ouviam-n'as os infelizes condemnados, reunidos todos n'uma casa do palacio de Belem. A marqueza, D. Leonor Tavora, tinha sido conduzida, do convento das Grillas para Belem.