Os criados do duque foram mais honrados do que elle: nem á força de torturas, confessáram a culpabilidade dos Tavoras, confessando porém a sua, dos seus, e do seu amo.

Mas que importava isto ao marquez de Pombal e ao tribunal de Inconfidencia, todo composto de malandros e de estupidos da casta d'elle? Sebastião José jurou perder os Tavoras, porque julgou, talvez com razão, que a tentativa da conspiração visava mais a elle do que ao rei.

Os Tavoras viveram no antigo luxo e socego depois do dia 3 de setembro. Corriam boatos de que elles eram cumplices—e elles ouviam perfeitamente esses boatos. Porque não fugiam?

Porque não tentavam precaverem-se contra essas accusações?

Estavam innocentes.

Resposta que resume tudo; resposta que os absolve da louca serenidade com que aguardavam a colera do rei e do ministro{12} que, no tenebroso espirito ao serviço do seu coração empedrado, preparava as minuciosidades selvagens do cadafalso de Belem.

A historia a unica reprehensão que póde fazer aos desgraçados é esta:

—Vossês deviam conhecer melhor Sebastião José! Julgavam que elle hesitaria em condemnar-vos innocentes?

Os Tavoras não esperavam tanta infamia da parte do seu inimigo. Senão fugiriam como depois fugiu José Polycarpo de Azevedo.

Quanto ao duque d'Aveiro, varia muito a attitude. Só uma estolida soberba e uma inabsolvivel leviandade o podia fazer ficar em Portugal.