Que direy de quantas differenças, e guerras civis ouve no Reyno de França antre ElRey, e o povo? Le-se de Broncilde Rainha de França, e mãy delRey Childiberto, que excedendo a toda a sorte de crueza, matou seus filhos, netos, e bisnetos delles a ferro, delles com peçonha, sómente por uzar à sua vontade de seus màos appetitos deshonestos: esta foy semelhante a Euridice, Rainha de Macedonia, e filha de Amintas, que foy nòra de Felippe, pay de Alexandre Magno, a qual soltando-lhe a redea a seu mào, e torpe dezejo, fez tambem matar muitos seus filhos. Se nos passarmos às Chronicas do Reyno d’Ungria, tambem acharemos que ouve antre ElRey, e povo muitos bandos, e differenças, e leixando os males prezentes, em que hoje aquelle Reyno està metido, que tem dado a toda a Christandade assaz bem trabalho: o Rey Pedro, filho delRey Estevaõ primeiro Rey de Ungria foy lançado della por usar contra seus vassallos grandes cruezas, a estes succedeo Abbà, o qual em conjuraçaõ feita contra elle, foy morto, e assi Salamaõ Rey d’Ungria foy lançado por Gersa seu Primo com Irmaõ.

Naõ hà muito, que fiz mençaõ delRey D. Pedro de Castella; este reynou taõ cruamente, que sendo lançado della, e querendo vir-se cà, ElRey D. Pedro, sendo naõ pouco seu parente, o naõ quiz acolher, por onde lhe foy necessario passarse a Inglaterra. Ainda he cousa fresca na memoria dos homens, como o Rey de Dinamarca por semelhantes odios, foy lançado de sua terra deshonradamente, e hoje em dia està prezo: que direy no Reyno de Castella, quantas differenças, quantas conjuraçoens houve antre os Reys della, e seus Filhos, e Irmãos, e outros muitos da Casa Real, mas naõ me quero deter em cousa taõ clara; abaste a comparação destes para se ver quamanho louvor he o de V. Alteza; e quanto lhe devem seus Vassallos, vivendo por sua causa taõ afastados de tantos males. Esta bondade, este amor, que mostra, naõ somente aos Infantes seus Irmãos, de que depois direy, mas a todos em geral, e assi o trabalho, que sempre toma para nosso descanço, accrescenta mais o amor, que lhe seus Vassallos tem, o qual he mais firme, e aproveita mais aos Principes; que todas as fortalezas por mais fortes, que sejaõ.

Aos Emperadores de Roma Tito, e Nerva, e Adriano, e Antonio, e Marco por serem bons Principes, naõ eraõ necessarios Soldados, nem gente armada, que os guardasse; os seus costumes, a boa vontade do povo, o amor do Senado os defendia, e polo contrario aos màos Emperadores, como foraõ Nero, Caligula, Vitelio, e outros muitos, naõ abastavaõ os exercitos, que o Imperio Romaõ tinha em todo Levante, e Ponente para se poderem guardar de seus proprios Vassallos, e por sua mà vida, e costumes eraõ os mòres inimigos, que tinhaõ. He cousa muito para notar, que de vinte e seis Emperadores, que foraõ de Julio Cesar atè o Emperador Maximino, os dezaseis foraõ mortos a ferro, e os dez sómente morrerão de sua morte: por isso tomem os outros Reys Christãos exemplo de V. Alteza, e aprendaõ delle a viver em verdadeira paz, e sem duvida tal deve ser o Principe para em fama, e gloria exceder os outros: jà naõ recearey dizer alguma cousa porq́ sey de mim digo verdadeiramente a qual he, que sempre folgára de ser Portuguez, mas agora o folgo de ser mais, que nunca.

Muitas vezes cuidando eu, quantas mudanças, e differenças d’estados houve nos Reynos de Portugal, acho que nunca tanto floresceraõ, como agora, e para que mais claramente se veja pola comparaçaõ de cada tempo, o que eu digo ser assi, brevemente farey de todos mençaõ. Jobel filho de Jafet, e neto de Noè depois do diluvio veyo ter a Hespanha, a qual delle, e de seus descendentes se povoou, estes se governarão por Reespublicas, e Comunidades. O primeiro homem, se queremos dar fé às fabulas antigas, que nella, e em Portugal entrou com exercitos, e a conquistou, foy Bacho, depois os Curetes, gente da Grecia, seguindo a Gargores seu Capitaõ, se fizeraõ senhores della, o qual Gargores foy excellente Principe, e ensinou aos povos de Hespanha muitas cousas necessarias para a vida, e proveito cõmum, por onde os successores deste pacificamente reinaraõ atè o tempo delRey Giriaõ, em cujo tempo, vindo Hercules o venceo, e nella ordenou novo estado. Depois, segundo dizem, reynou Hispalo, de quem se nomeou Hespanha, mas da successaõ dos Reys, que deste vieraõ, e de como se acabaraõ, a fama he incerta, e muy obscura, posto que os Andaluzes antigamente se sohiaõ gavar, que tinhaõ escripturas de seis mil annos: o que eu destes tempos por conjectura alcanço he, que Hespanha se tornou a governar por Comunidades, e este regimento durou atè que os Cartagineses com achaque de socorrerem a Cidade da Calez, fundada polos Phenices, se fizeraõ senhores da mòr parte della. Ao Emperador dos Cartaginenses succedeo o dos Romaõs, que depois de grande perda, e estrago de seus exercitos em cabo de 300 annos sendo Emperador Octaviano acabaraõ de a conquistar, mas em nenhuma parte desta Conquista tiveraõ os Romaõs mor fadiga, que em Portugal.

Daqui sahio Viriato Portuguez Capitaõ, que desbaratou muitos exercitos Romaõs em batalha campal, e em fim nunca pode ser morto, se naõ à treyçaõ por engano, e astucia de Cayo Lelio Capitaõ dos Romaõs: daqui se fez Sertorio contra elles com a gente Portugueza, lhes deu muito trabalho, alevantando depois Portugal, e naõ querendo obedecer a Roma, foy mandado cà Julio Cesar, e naõ devia Provincia taõ forte ser vencida, se naõ por Capitaõ nunca vencido. Geral opiniaõ de todos he a naçaõ Portugueza ser mais forte, e esforçada de toda Hespanha, mas sendo (pola longa paz) Portugal afastado do uso das armas, e tendo perdida muita parte da gloria, que com o exercicio dellas em outro tempo ganhàra, ouzou Atila Rey dos Hunos mandar contra nos hum exercito de Suevos gente d’Alemanha, que occuparaõ este estado, e assi por espaço de cento, e setenta annos houve muitos Reys Suevos em Portugal, atè que com muito trabalho foraõ lançados polos Godos, porque depois da vinda dos Suevos os Godos seguindo Athanarico (que segundo dizem foy primeiro Rey antre elles) poderosamente entraraõ em Hespanha no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de trezentos e trinta e tres, e a tomaraõ, excepto a Portugal, que entaõ, como disse, estava polos Suevos, depois Theodorico Emperador dos Romaõs venceo os Godos, e os meteo debaixo do seu Imperio; mas naõ duraraõ mais que 18. annos sogeitos; e logo Alarico seu Rey, que era natural do Reyno d’ Ungria, e por geraçaõ vinha dos Balteos gente de baixo do Norte, se alevantaraõ, e tornaraõ a fazer senhores de Hespanha. Este Rey Alarico foy muy esforçado Principe, e se fez Senhor de muita parte de Hespanha: nestes tempos havia hum Rey dos Godos em Castella, e outro dos Suevos em Portugal, atè que ElRey Theodorico, vencendo em batalha campal a ElRey Reciario lhes ganhou Portugal, e porque dos Suevos ficava ainda alguma parte, ElRey Leovigildo acabou d’os lançar de todo, e assi os Reys Godos ficaraõ em posse pacifica de toda Hespanha, atè a derradeira destruiçaõ della, que foy em tempo delRey D. Rodrigo, e sendo depois, como sabemos, lançados os Mouros, se veyo a partir em muitos Reynos como saõ Leaõ, Castella, Aragaõ, Navarra, e Granada, e aos Antecessores de V. Alteza coube Portugal, cujos louvores, e feitos d’armas, porque delles as nossas Chronicas estaõ cheas, naõ he necessario dizellas eu, nem menos se deve tratar em taõ piquena obra.

Sómente he para notar, que querendo Deos restituir a gloria destes Reynos quiz, que reynasse o muy Excellente Rey D. Afonso Henriques, o qual continuamente pelejando pola Fè Catholica, e vencendo muitos Reys Mouros em batalha campal renovou a fama da gente Portugueza, e deu bemaventurado, e prospero começo ao Estado prezente: muitos Reynos dos Gentios começaraõ em Reys esforçados, mas por naõ adorarem, nem conhecerem o verdadeiro Deos duraraõ pouco, este Reyno sendo ganhado a Mouros, e começado por Rey Christianissimo, e continuado por Reys naõ menos Catholicos, devemos d’esperar, que durarà para sempre. Naõ descançaraõ os Reys de Portugal, donde V. Alteza vem, atè que de todo naõ lançaraõ os Mouros delle, em que se vè quanto mòr louvor mereceraõ, que os outros Principes, que nos tempos mais atraz o conquistaraõ, por quanto os Reys de Portugal mais antigos sojugaraõ, e trataraõ mal os naturaes: os da linhagem delRey D. Afonso Henriques favorecendo os naturaes sómente conquistaraõ, e venceraõ os de fóra: os Reys muito antigos tinhaõ Portugal como Provincia, e tributaria: os que deraõ começo à successaõ prezente, reynando justamente o amaraõ como sua patria, e terra natural: dos primeiros tempos, havendo muitas differenças de estado era necessario, que nascessem bandos, e guerras civis, nos tempos mais chegados houve poucas differenças, e se algumas houve logo foraõ apagadas em breve tempo; assi que claro se vè, quanto mais prospero he o estado presente, que o dos tempos atraz, o que ainda foy mais notorio reynando o muito victorioso Rey D. Manoel vosso Pay de bemaventurada memoria, e assi agora o he em tempo de V. Alteza, cujo glorioso Reynado tanto amor, honra, e preço dà a Portugal, quanto a gloria de seo Regimento, e Conquista, que tem, excede a fama, e memoria de seus antepassados.

Qual Principe de Portugal naõ digo eu, mas d’ Europa, triunfou da Ethiopia, da Arabia, dos Persas, e dos Indios, descubrio tantos mares, tantas Ilhas, deu tantas terras naõ conhecidas ao mundo? Qual Principe converteo a Fè de Christo tantas Provincias, tanta multidaõ de almas, cuja bemaventurança naõ pode leyxar de ser comunicada com a causa della? Qual Principe com as suas vitorias, e triumphaes armadas rodeou o Mar Occeano, passou os termos, e limites da navegaçaõ geral, alcançou taõ grande fama na derradeira parte do Oriente, foy taõ temido de Reys poderosos, e Senhores taõ apartados, finalmente fez conversaveis aos Christãos com as Nações do nosso Ponente? Sem duvida esta tamanha gloria, este tamanho bem, para o muy Victorioso Rey D. Manoel, e para V. Alteza estavaõ guardados, ambos isto usaraõ, ambos isto cõmetteraõ, e poderaõ levar àvante, polo qual bem he, que o Pay, e o filho comuniquem huma mesma gloria juntamente: os Reys seus antepassados com muita razaõ foraõ louvados polas victorias, que dentro neste Reyno houveraõ, V. Alteza alèm de seus naturaes manter em muita paz, e justiça, manda continuamente por mar, e por terra seus exercitos, e grossas armadas contra os Infieis, buscando sempre novos triumfos, e vencimento; de tal maneira tempera a paz com a guerra, que nem seus Reynos carecem do bem da paz, nem a força, e opiniaõ da gente se perde por falta de exercicio das armas.

Sempre com muita razaõ foy dado o principal louvor aos que ordenaraõ as cousas pertencentes a Deos, e à sua verdadeira Religiaõ, apoz estes foraõ louvados os que fundaraõ Reespublicas, e as poderaõ conservar com muita paz, e o terceiro lugar mereceraõ os Reys, e Principes, que com Exercitos, e armas acrescentaraõ seu Estado, no quarto foraõ postos os Letrados, e dahi segundo seu grào mereceraõ seu louvor, pois se cada hum destes estados por si merece tanto, que louvor deve ser o do bom Principe a quem de tantos, e taõ grandes bens, juntamente cabe muita parte? Por certo taes devem ser os bons Reys, e por serem antigamente taes, muitas Comunidades se tornaraõ em Reynos, e muy poucos Reynos em Comunidades, como se lè do Reyno de Toscana em que reynou Porsena, o qual foy desfeito, e dahi por diante governado por doze povos. No principio do Mundo os homens viviaõ em Reepublica, e depois vieraõ a ser governados por Reys, que he o Estado, a que a natureza mais se inclina, mas antre as virtudes do bom Regimento, a conservaçaõ da boa paz he muito aceita a Deos, e proveitoza às Reespublicas, e naõ sem causa: quando Saturno reynou em Italia, por governar seu povo justa, e pacificamente, os Poetas a este tempo chamaraõ dourado, e Numa Pompilio segundo Rey dos Romaõs, por ser amador da paz naõ mereceo menos louvor, que Romulo seu antecessor por ser grande, e muy esforçado Capitaõ; e sendo temperada a opiniaõ, e exercicio das armas que ficou de Romulo, com a paz de Numa o povo Romaõ veyo a ser bem quisto de seus vizinhos, e comarcaõs; mas porque mal se conserva esta virtude, quando naõ he fundada em serviço, e devaçaõ de Deos, V. Alteza como Principe Christianissimo em nenhuma cousa he mais occupado, nem traz mais pronto seu pensamento, que em cumprir perfeitamente, tudo quanto toca ao serviço de N. Senhor, e de sua Santa Fè, sabendo certo, que naõ pòde ser melhor cousa para hum Principe Christaõ, que fazer inteiramente justiça, e o que elle manda. Quem poderia bem dizer quam liberal V. Alteza he nos gastos dos Hospitaes, Mosteiros, e Igrejas de seus Reynos, muitas dellas edificando magnificamente, outras provendo de sumptuosos retabolos, e ornamentos, e geralmente a todas, e assi a muitas fóra do seu Reyno fazendo esmollas muy grandes em todo o tempo?

Que direy do cuidado, que continuamente tem sobre a reformaçaõ das Ordens, veneraçaõ do Culto Divino, e conservaçaõ da Fè Christã? Quam novas maneiras busca, para que em nenhuma cousa, que toque à sua consciencia, offender a vontade de Deos; clara cousa he ao Mundo sua verdadeira devaçaõ, claro he o bom exemplo, que assi nesta, como em todalas outras virtudes dà de si. Quam bem estaõ estas tres partes a hum Principe, justiça, amor da paz, e Religiaõ? Quam bem se concertaõ antre si, e ajudaõ huma à outra? Por certo naõ se pòde melhor, nem mais fermosa cousa pintar aos olhos que a paz esmaltada sobre verdadeira Fé, e amor de Deos, a qual he em si de tanta perfeiçaõ, e merecimento, que a quantos Reys do Testamento Velho, e Principes Christãos inteiramente a guardaraõ, foy sempre causa de grandes bens, e acrescentamentos de seus Estados. Mal se pòde conservar huma Reepublica em que naõ haja amor de Deos, e este amor mais crece na paz, que na guerra, pola qual Numa Pompilio, segundo Rey dos Romaõs (de quem pouco ha que falley, digo isto por quanto a falsa Religiaõ em algumas cousas segue a verdadeira) dezejando que a devaçaõ em Roma fosse mayor do que era, primeiro que nada fizesse, assentou as cousas da paz, e como affirma Tito Livio em todo o tempo de seu reynado, que foraõ 43. annos, em nenhuma cousa mais trabalhou que em ter o povo Romaõ pacifico, sendo certo que desta maneira facilmente o pudera applicar às cousas da Religiaõ. Aquelle muy esforçado, e naõ menos Religioso Principe, Profeta, e Rey David em quanto andou occupado nas guerras necessarias às Reespublicas dos Judeos, naõ pode tambem cumprir, como elle dezejava, o que tocava ao Culto, e Veneraçaõ de Deos, mas depois que vencidos seus inimigos teve paz, compoz elle mesmo em louvor de Deos Psalmos, e Hymnos em diversas maneiras, de metro, ordenou novas maneiras de instromentos, Psalterios de dez cordas, Violas de doze, e Campainhas de arame, com que aos Sabados, e outras festas do anno os Levitas tangendo louvassem a Deos.

Tambem Ezechias Rey de Judà Principe muy Santo estando em muita paz restituio as solemnidades do Templo, e escreve-se delle, que acompanhado dos principaes do povo sohia sacrificar com os Sacerdotes, estando os Levitas ao redor delle, e cantando Hymnos, como foraõ ensinados por David: acabado o Sacrificio, ElRey, e todo o povo se lançava debruços no chaõ, dando graças a Deos por esta tão fervente devaçaõ, mereceo que sojugasse as Cidades dos Philisteos, e que fosse livre do cerco de Senacherib Rey dos Assyrios, e pela mesma causa ElRey David nunca pode ser vencido em batalha. Hircano da linhagem dos Macabeos, Principe dos Sacerdotes, todo o tempo da paz empregava nas cousas da Religiaõ, por onde mereceo, que lhe fosse dado espirito de profecia, e que estando devotamente incensando o Sancta Sanctorum, ouvisse a voz de Deos, que lhe disse, que seus filhos venceriaõ a ElRey Antiocho. Naõ a hy no tempo da paz, cousa mais pertencente à dignidade Real, que o exercicio da devaçaõ, e naõ sem causa antigamente todos os Reys eraõ Sacerdotes, e traziaõ Diadema, que primeiro foy achada por Bacho, a qual era hum pano branco atado derredor da cabeça, que tomarão dos Sacerdotes, para terem continuamente lembrança das cousas, que tocassem à Religiaõ, e da maneira que a devaçaõ aproveita muito aos Reys, exemplo della recebe o povo grande fruto. Se o povo Romaõ naõ vira Numa Pompilio taõ occupado nas cousas Divinas, mal se podera aplicar a ellas, e esquecer dos màos costumes, que o tempo da guerra traz consigo, mas vendo seu Principe tambem inclinado edificar tantos Templos, ordenar tantas Ceremonias, e Sacerdotes, facilmente se demoveo que havia Deos, por onde leixando a força, e as armas se deu ao mesmo Exercicio, e diz Tito Livio, que em breve tempo foraõ os Romaõs taõ devotos, que só o temor, e authoridade da Religiaõ os fazia continentes, e bem ensinados, sem outro temor de leys, nem execuçaõ de penas, e por isso as Cidades vezinhas, e terras comarcaãs, que sohiaõ antes recear o crescimento de Roma, vendo taõ santa mudança de costumes, lhes guardaraõ (em quanto reynou Numa) inteira amizade, avendo por grande mal hirem contra aquelle Reepublica, que tanto cuidado tinha de viver santa, e religiosamente.