De Egica foy filho, e successor Vvittiza. Outra moeda traz Morales[204] delRey Vvittiza jà depois de governar só, por morte de seu pay, de que diz estas palavras: Su verdadero nombre es el que aqui le ponemos, como en aquella moneda de su padre parece, porque tiene tambien en el reverso otro rostro, y dizen las letras: Vvittiza Rex. El Author, que escrevio la Chronica de Toledo affirma aver visto moneda de oro deste Rey con letras, que en la parte donde estava su rostro, dizian Vvitigius Rex; y en reverso: Toleto Pius; y este nombre el mismo es, que Vvitiza; sino que el primero esta conformado en la lengua latina, a la imitacion de un Rey de los Osthrogodos en Italia, que se nombrò; y estotro està mas accommodado a la pronunciacion de nuestros Vizigodos de Hespaña, conforme a su lenguage. O Arcebispo D. Antonio Agostinho traz huma moeda deste Rey no seu Dialogo 8. com esta letra: In D. N. M: Vvittiza Rex: In Dei nomine Vvittiza Rex.
§. XX.
D. Rodrigo.
DelRey D.Rodrigo successor de Vvittiza, e ultimo Rey dos Godos, diz o Mestre Ambrosio de Morales[205] as palavras seguintes: Su verdadero nombre es Roderico, como manifiestamente parece en una moneda de oro suya, que yo he visto, tiene de la una parte su rostro harto differente de los que las otras moenedas destos Reyes parece. Tiene manera de estar armado, y salen por cima la celada unas puntas como cuernos pequeños, y derechos por ambos lados, que lo hazen estraño, y espantable: las letras dizen al derredor: In Dei nomine Rodericus Rex; y el In Dei nomine està en cifra travadas las letras: el reverso tiene en medio una Cruz sobre tres grados, las letras del redondo por de fuera son estas: Egitania Pius: dizen en nuestro romance: Religioso en Egitania. Esta era, la Provincia de Igeditania en Portugal, de que algunas vezes avemos dicho; y estava ya corrompido su nombre, mas no se tiene noticia de cosa notable, que este Rey alli hiziesse, por donde, se le posiesse en la moneda el tal titulo.
Saõ estas Moedas, de que Morales, e o Arcebispo D. Antonio Agostinho fazem mençaõ 23. e as que se acharaõ em Evora, e estaõ na minha livraria, passaõ de trinta. De maneira que só em Evora se acharaõ tantas quasi como em todo o resto de Espanha; por onde parece, que Evora floreceo em tempo dos Godos mais, que nenhuma outra Cidade, segundo mostraõ estes vestigios, e sinaes de sua grandeza; ao que tambem favorece ver, que as Moedas, que trazem estes dous Authores, as mais pertencem a Lusitania, de quem era cabeça Merida; porque das 26. Moedas, que extaõ do tempo dos Godos, como se vè das memorias aqui escritas, saõ de Merida desenove; e de Evora quatro; de Elvas huma; de Braga duas; da Idanha duas; de Eminio, que era junto a Aveiro, huma. Por onde somaõ as tocantes a Portugal, 29. e para o resto de Espanha, 26. a saber oito, que pertencem a Toledo; a Sevilha nove; duas a Tarragona; tres a Cordova, huma a Tucci; tres a Granada; porque a de Narbona toca a França; a fóra as 6. que naõ tem lugares proprios; e assim consta, que Merida cabeça da Lusitania tem mais que todas. Pelo que se pòde entender, que os Godos desde Lusitania senhoreavaõ Castella, e que nesta Provincia assistia a sua grandeza, e mayor frequencia. Donde com razão se pòde dizer do tempo dos Godos o que jà disse Ausonio[206] no dos Romanos, que a Merida se sogeitava toda Espanha.
Emerita, æquoreus, quam præter labitur Annas,
Submittit cui tota suos Hispania fasces.
§. XXI.
Moedas Arabigas.
Começou o Senhorio dos Arabes em Espanha no anno de 714. com a grande victoria, que Tarif, e Muça alcançaraõ de D. Rodrigo, ultimo Rey dos Godos; porèm como acharaõ Espanha toda debaixo do governo de hum Principe, vencido este, ficavaõ todas as Provincias rendidas, e os Arabes Senhores de todas ellas; o que naõ acontecera se Espanha tivera mais Reys naquelle tempo, como se vio depois nas entradas, que fizeraõ os Almoravides, Almoades, e Benemerines, que passando a Espanha com muito mayor poder, do que foy o de Tarif, e alcançando alguns delles dos Christãos grandes vitorias, nem por isso senhorearaõ a Provincia, por estar possuida por mais de hum Principe. Pelo que introduzindo os Mouros, que com Tarif vieraõ, e os que se lhe seguiraõ em Espanha, suas leys, e costumes, as Moedas, que corriaõ, eraõ todas suas; destas hà inda hoje grandissima quantidade em Portugal, e eu tenho muitas, que principalmente se acharaõ no territorio de Evora, e Beja; muitas dellas de ouro, as mayores da grandeza de hum Real de prata, e de pezo de 500. atè 600. reis; que teriaõ ametade deste valor, e outras de grandeza de pequenos vintens. Os nomes destas Moedas naõ podemos saber; em nenhuma dellas hà figura alguma, por lhe ser prohibida em sua Seita, senaõ letras de ambas as partes, de huma poem o nome de Deos com os seus attributos de Grande, Bom, Omnipotente, &c. da outra o nome do Principe, que a manda bater com o de seu pay, e Avò, e outros ascendentes, como he costume dos Arabes, que tem isto por a clareza de suas ascendencias. Das Moedas de prata tenho tambem muitas, as mayores como tostoens; mas tam delgadas, que tem só de pezo meyo tostaõ, outras menores, e algumas taõ pequenas, como meyos vintens, todas tem o mesmo modo de letreiros, porèm algumas de muy perfeita esculptura, que deviaõ de ser do tempo dos Reys de Cordova, que floreceraõ em muita grandeza, e policia. As de cobre naõ excedem o tamanho das de prata, ainda que saõ muito grossas, mas tambem as hà meudas, e muito pequenas de peso dos nossos seitiis.
Esta he a noticia, que posso dar destas Moedas, das quaes naõ se pode saber, se alguma toca a Portugal, posto que como se achaõ na mesma terra, parece que devem de ser dos Reys Arabes, que então a senhoreavaõ.