E onde ha no mundo um povo a outro povo extranho?!... Ou odio figadal, intrinseco, tamanho Que a todos nos divida?! Se a Terra, o mar profundo e o proprio sol são pouco Por darem vida a um lyrio: haverá hoje um louco D'um Cezar que decida,
D'encontro ás sabias leis por Deus dadas ao mundo, Que um homem, cujo peito infinito e profundo Abrange a Terra e os Ceus, Guerreie o proprio irmão que é d'elle a propria essencia, A luz, o ar, a vida, a força, a providencia, Que deste-lhe, meu Deus?!
Oh não!... Tu mandarás o dia em que a Justiça Obrigue-os a expiar com fronte submissa Dos crimes o estendal Que encheu de sangue e horror as paginas da Historia, Servindo de lição, ficando por memoria, Em prol do teu Ideal!...
E o mundo hade voltar á fonte d'onde veio, E ser todo elle amor, justiça e paz!... Já leio Signaes de nova Luz!... As crenças do Passado estando já em terra, Vem prestes a surgir a nova Lei que encerra Os sonhos de Jesus!...
E eu beijo e adoro a mão que impelle e rege o mundo, Que deu a flor ao campo; os sóes ao firmamento, E o espirito divino Aos nossos corações! Que a toda a creatura, Á flor que desabrocha, ao astro que fulgura, A todos deu destino!
Por isso eu n'este mar, sobre este chão d'abrolhos, Por onde cae amaro o pranto dos meus olhos, De fito no Senhor, De fito no Ideal, minha alma não se inquieta: Confia e sobe a Deus, é como a borboleta Que vae poisar na flor!
Bussaco, 1870.