Lisboa, 1898.
II
Á LUZ
Oh Luz dourada e pura! Oh Luz, irmã do Amor! Espelho e formusura Da Alma do Senhor!
Em ti eu vejo e abraço O author da creação, Soltando pelo espaço Explendida canção
Meus olhos que te admiram, Bem como a Terra e os Ceus, Ao verem-te, sentiram O proprio olhar de Deus!
O ceu, mal vens n'aurora, Mais alva que a alva lã, De purpura colora As faces de manhã!
A Terra, envolta em galas, Mais bella que as Huris, Reveste-se de opálas, De perolas e rubis!
As aves innocentes, Sentindo o teu fulgor, Gorgeiam, de contentes, Seus canticos d'amor!
Os lyrios junto ás fontes, Perdendo o teu clarão, As suas lindas fontes Inclinam-se para o chão!