Hostia de luz esplendida, patente Perante os povos em perpetua missa! Tu, que és de Deus o espelho resplendente, Throno de gloria e séde de Justiça:
Se apagares nos ceus teu facho enorme, Suspensa a vida no labor interno, Tu verás como a terra logo dorme Entre as sombras da noite um somno eterno!...
Seja pois o meu canto um desafogo Da nossa gratidão, astro, jocundo! Coração formosissimo de fogo Que em nome do Senhor dás vida ao mundo!
E prosegue no carro flammejante A derramar teus bens por mundos novos, Que emquanto vês na marcha triumphante Infindas tribus d'animaes e povos:
Eu, deslumbrado ainda com os vestigios Da tua luz, de tantas coisas bellas, Louvarei o author de taes prodigios Sob esse manto esplendido d'estrellas!
Lisboa, 1872.
IV
AO MAR!
Senhor! eu canto o mar, que no psalterio D'esses orbes de luz que além se avista, Com a vóz d'um tristissimo psalmista Teu nome ousa louvar no espaço ethereo!
Canto o apostolo, o mestre da Verdade, Que, aprendendo de ti altos segredos: Contra os negros tyrannos dos rochedos Vae prégando o sermão da Liberdade!