Suppondo em vida os povos numerosos, Unindo-se em espirito e verdade, Viverem ante Deus e a Humanidade, Como irmãos, solidarios, venturosos;

E encontro, em torno ás candidas chimeras, Crueis dissilusões por toda a parte: Em guerra os homens, a virtude e a arte Sem o fogo sagrado d'outras eras...

Oh minhas flôres! viva embora eu triste, Que as vossas serenissimas imagens Conseguem libertar-me das voragens Com quanto bello na minha alma existe!...

Ah quando caio e vejo das miserias Cavar-se aos pés um sorvedoro infindo: Seguindo as esperiaes d'um sonho lindo, Por vós remonto ás regiões ethereas!...

Em horas de fraqueza, horas mofinas, Se eu ouso vos fitar, sinto na face Um subito rubor, qual se me olhasse Deus Pae, sob essas formas peregrinas!...

Urnas santas, a mim que deposito No vosso olôr subtil e perfumado As scenas mais gentis do meu passado, Perdidas para sempre no infinito!...

Deixae que em testemunho da verdade: Do muito que vos quiz e amei na vida, Como echo da minha alma agradecida, Meu canto o atteste á luz da eternidade!...

Carvalhaes, 1870.

VII

Á ARVORE