Á vossa encantadora companhia, Toda cheia de graça e de candura, Eu devo em parte a luz serena e pura Do amor, que meu espirito allumia!...

Cercando-me dos vossos esplendores, Nos quaes eu pasto dia e noite a vista, Consigo converter meu lar d'artista N'um Louvre de riquissimos lavores

Em porphirio, alabastro, em prata e oiro, E em fulgidos setins!... Primores d'arte, Por onde o Artista Maximo reparte Co'os olhos meus bellissimo thesouro!...

Entre nós não ha festas verdadeiras, No templo, no palacio ou na choupana, Que em todo o grão matiz da vida humana, Prescindam de vos ter por companheiras!...

Ninguem na Terra vos disputa a palma D'expor, com fidelissima justeza De côr e fórma, cheias de belleza, Os varios sentimentos da nossa alma!...

A timida donzella, ingenua e pura, Temendo-se dos bens que ella imagina, Nas petalas da candida bonina Procura lêr seus sonhos de ventura!...

Com finas mãos, as pallidas Ophelias, Por darem mais realce aos fios d'ouro Das bastas tranças: seu cabello louro Adornam com alvissimas camellias!

Afim de se dizer á bem amada Do intenso amor o rapido delirio: Da rosa pudibunda ou branco lyrio Se faz missiva pura e perfumada!...

Os tristes na viuvez, e na orfandade, Roidos por uma intima amargura: Desfolham na chorada sepultura, As petalas do lyrio e da saudade!...

Eu mesmo, que do publico debando; Dos mortos devorciado, e alheio aos vivos: Se vejo d'entre sonhos fugitivos, Abrirem-se-me os ceus de quando em quando;