Oh arvore! no amor que a Ti me prende, Confesso ao mundo haver bem mais lucrado, Que em muito livro d'ouro encardenado, Que ahi se espalha e muita gente aprende!...
Se eu vira, como os fructos dos teus ramos, D'entro d'esta alma abrir-se a flôr da ideia Á luz deste ideal que em nós se ateia Para que nós do mal ao bem subamos;
Se ás novas gerações, no meu psalterio, Cantar podesse a nova luz que assoma, Como os orgãos da tua verde coma Lançando a vóz de Deus no espaço ethereo;
Se eu fora como tu viver piedoso, E a qualquer desgraçado e pobre amigo Offerecer no meu seio o mesmo abrigo, Que estende sobre o ninho o ramo umbroso;
Se eu conseguisse, emfim, levar meu dias, Perante o mal que sempre me acompanha, Como a arvore sonora da montanha, Que descanta ao soprar das ventanias:
Só assim chegaria um dia a ser O espirito sereno, sabio e justo, A que deve aspirar, a todo o custo, O Senhor da Rasão, que pensa e quer!
Bussaco, 1869.
VIII
Á TERRA
Oh Terra, Virgem mãe da Humanidade, Pelos fructos que dás eu te bemdigo! Cheia de graça e cheia de bondade, O espirito de Deus seja comtigo!