De manhã, com os crystaes do fresco orvalho, Fulgentes scintiliando á luz do dia, Pisam meus pés, riquissimo trabalho, Tapetes de preciosa pedraria!

Á tarde, quando o sol deixa as alturas, Qual Vinci, Miguel Angelo ou Ticiano, Pões-me nos ceus esplendidas figuras, Como eguaes as não tem o Vaticano!...

Á hora em que é dado o somno acoite Em doce paz meu corpo fatigado, Desdobras-me sobre elle o veu da noite, De fulgidos brilhantes recamado!...

E quando, emfim, entrar na noite fria Do tumulo, onde nada se condemna, Do meu cadaver tirarás um dia O branco lyrio e a pudica açucena!...

Taes os bens que offertas-te ás almas ternas, Simples, crentes em Deus, ideal fecundo...! E dás-lhes n'estas coisas sãs e eternas Bem mais riquezas do que aos reis do mundo!...

E assim vaes entre os soes deixando o aroma Dos ineffaveis dons da Providencia, Como exhala riquissima redoma Em dourado salão a fina essencia!...

Oh Terra, Virgem mãe da Humanidade, Pelos fructos que dás eu te bemdigo! Cheia de graça, e cheia de bondade, O espirito de Deus seja comtigo!

Carvalhaes, 1870.

IX

AOS ASTROS!