IV
PRESENTIMENTOS
Eu bem sei que devia Causar-te muito dó, Em noite tão sombria Vêres-me aqui tão só!...
Nem sei que sol m'alegra! A sós com a minha cruz, Sou como a nuvem negra Que encerra muita luz!...
Como arvore sombria Vergada sobre um val, Assim vivo hoje em dia Á sombra do Ideal...
Que eu tenho muita fome De Justiça e d'Amor, E aqui não ha quem tome A serio a minha dôr...
O mundo vê e passa, Como sempre passou, Sorrindo da desgraça Dos tristes como eu sou...
E este sonho dourado D'amôr, que a gente vê, Não póde estar guardado N'esses homens sem fé!...
Ah! não! já não m'illudo Foi isso o que suppuz; Mas vi mudar-se em tudo Em sombra a minha luz...
E os sonhos que já tive Tão bellos, afinal, São hoje um céo que vive Sobre este lamaçal!...