Um céo que vejo, ao longe, Exposto aos olhos meus, Co'a mágoa com que um monge Veria outr'ora a Deus!...

E onde ha maior castigo, Mais dura provação, Que ter por inimigo O homem nosso irmão,

Aquelle a quem nós démos, Com toda a candidez, Os sonhos que hoje vêmos Desfeitos a seus pés?!...

Ah! suppõe-me o desgosto, De eu vêr desparecer A cópia do meu rosto Aos pés d'uma mulher,

E isto em desacato Do meu mais santo amor: E ahi tens um retrato Da minha immensa dôr,

Quando vejo desfeito Por gente ingrata e má Um sonho do meu peito, E muitos vi eu já!...

Por isso eu n'esta vida, Apoz tanta illusão, E tanta flôr perdida, Tanta corôa no chão...

Ai! sinto com o anceio, Que é proprio do infeliz, Um mal n'este meu seio Lançar muita raiz!...

Espero vêr a morte, Eu proprio a invoquei, Levar-me d'esta sorte Para onde?! É que eu não sei!...

Como eu não sei dizer-te, E isto que me consol', Como é que se converte Em vida a luz do sol!...