Mas esta, em que a saudade se deixou cruxificar, e tem mãos de mysterio e acaricia, e vem de manso afagar meus olhos, embalando meu sonho pela noite fora, e em negrumes abafa minha dôr, dando-me paz, serenidade, calma, esta, Senhora minha, eu a adoro, eu a bendigo.
INFANTA
Mas porque odiar assim a luz, assim a vida?
POETA—com intensão
Porque acorda... Porque tece feitiços de loucura... Porque illumina, revela, transfigura. Porque cria sonhos. Imagens que são reaes e que se afastam, que vemos e não podemos alcançar...
Odeio a luz, Senhora, porque ella illumina o meu soffrer, e entra em meu coração e abre-o de par em par ao soffrimento!
Porque estendo os braços, anciosos, loucos, e meus braços se perdem no ar!...
Vejo o meu sonho e não o alcanço... Tenho-o junto a mim e está distante... E soffro mais ainda!
Antes a noite! Vejo-o, sinto-o, palpita e vive em mim, como se meu coração ganhasse azas e em meu peito ficassem a bater, como a quererem livrarem-no da Morte, antes da Morte vir e lhe tocar!
INFANTA