Pouco dizem... e o nosso Imperio transfigurou o mundo!
ASTROLOGO
As maldições do Destino não perdoam...
INFANTA—quasi violentamente
O Destino, por nós, já foi vencido.
ASTROLOGO—sereno, fitando-a
Os homens enganam-se...
A côrte entreolha-se, vazia. A Infanta acerca-se do diadema. Pega n'elle quasi a medo. Os seus dedos esguios mal lhe tocam. Beija-o. Sempre hirta e estática, junto da janella aberta, frente á noite, ergue-o em sacrificio, em elevação, ergue-o bem alto! O luar escorre-lhe pelos braços. As pedrarias scintillam intensamente. Em sagração, como se fosse poisá-lo em pedra d'ara, colloca-o nos seus cabellos negros. Assim coroada, não vê, não ouve. O sonho encarnou-se no seu coração em soffrimento amargurado. Em face da certeza do Astrologo, ella busca uma certeza maior que a domine.
INFANTA—n'uma vibração profunda, intensissima—a sua alma frente a frente ao destino de milhares d'almas, abrangendo n'uma vizão a vida toda, o passado e o futuro, echo perdido duma voz prophetica:
E as estrellas mentem!...