O pintor e o astrologo afastam-se apressados. O poeta, lentamente, aproxima-se do cruzeiro.

VOZES

Afastem-se!...—Abram alas!...—Já ahi vem El-Rei...—Afastem-se...—Abram alas...

Os grupos afastam-se em silencio, abrindo alas. Pela esquerda, rodeada das suas aias, toda de branco, hierática, serena, suavissima, sem um gesto, sem um sorriso, e d'um olhar divino, triumphal—olhar cheio de visões gloriosas, de claridades infinitas, de sonhos revelados, e de certezas eternas—apparece a Infanta...

Os homens descobrem-se, as mulheres atiram flores ao caminho, juncam o caminho de flores, e quêdos; silenciosos, ficam a olhá-la, espantados, como se estivessem em face d'um milagre, d'uma apparição divina!

VOZES DOS MARITIMOS

Viva a Senhora Infanta!—Viva a nossa Princeza!—Que Deus guarde a nossa Santinha!—Que Nossa Senhora a proteja! Que os anjos a levem em sua guarda!—Como vai linda!...—Como Ella vai!...—Que a estrella do norte seja seu guia... Que as ondas a embalem...—Viva a nossa Princeza!—Viva a Senhora Infanta!...

As vellas vão pouco a pouco subindo nos mastros e, como azas enormes, enchem o céu.

Junto ao cruzeiro, alheio, indifferente, distante, o Poeta continua olhando os longes...

ACABOU DE SE IMPRIMIR
ESTE LIVRO
NAS OFICINAS GRAFICAS
DA RUA FORMOSA, NUMERO 50,
DA CIDADE DE LISBOA,
NOBRE E LEAL,
AOS QUATORZE DIAS DO MEZ
DE NOVEMBRO
DO ANO DA GRAÇA DE
MCMXXI