Mudança de potro, mudança de cutello, substituição de algozes... mas sempre o mesmo supplicio! sempre os mesmos instrumentos de tortura!
Mesquinha revolução, que tão pouco alcança!
Povo infeliz! quanto mais rega com lagrimas e sangue o sólo da patria, tanto mais elle se lhe desentranha em ferro para forjar grilhões; e só produz espinhos para tecer a corôa do seu prolongado martyrio!...
Povo infeliz! mal principiava a despontar a aurora da tua redempção pela liberdade, e erguem-se tenebrosas as nuvens do passado, para toldar a face ao grande astro do teu dia de gloria, projectando sombras em vez de irradiar luz!
Quando, apostolo da grande ideia, te purificavas para tomar sobre os hombros a tunica alvissima do augusto sacerdocio, prestar culto á liberdade, e entoar o hymno do progresso, que em breve deveria talvez repercutir-se em todos os angulos da Europa,—arremessam-te a mortalha destinada ao moribundo, ainda tincta no sangue das hectombes, com que a tyrannia oppressora celebrava as suas criminosas e lugubres victorias, e condemnam-te a mais alguns annos, e quem sabe se a mais alguns seculos de tormentoso martyrio!
Revolução de 1848 em França, de 1868 na Hespanha: datas gloriosas, e que apenas separam vinte annos de luctas não interrompidas; sonhadas aspirações, gratas lembranças d'esse sonho de liberdade, que valor, que importancia será a vossa na historia das nações?!
A França acordando encontra—o imperio, e a liberdade mutilada.
A Hespanha—A realeza, e a liberdade... talvez perdida.
Tremenda é a responsabilidade d'aquelles que preferem á liberdade de todos as pompas deslumbrantes, mas vãs, d'uma côrte apparatosa!...